

No dia 2 de setembro de 2026, a Cia Memoriana esteve presente em um momento muito especial: a celebração dos 100 anos do Instituto São Rafael, em Belo Horizonte.
Há um século, o Instituto faz parte da história da educação e da cultura de Minas Gerais. Inaugurado em 2 de setembro de 1926, nasceu a partir da iniciativa de ex-alunos do Instituto Benjamin Constant, que buscavam criar em Minas Gerais uma instituição dedicada à educação de pessoas cegas.
O São Rafael rapidamente tornou-se uma referência no ensino de pessoas com deficiência visual. Desde seus primeiros anos, oferecia não apenas a educação escolar, mas também formação musical e profissional. O regulamento de 1934, por exemplo, estabelecia entre suas finalidades a instrução primária, secundária, profissional e artística, incluindo cursos de música e formação técnica.
A música ocupou um lugar especialmente importante nessa trajetória. Apresentações dos alunos já aconteciam nos primeiros anos do Instituto e a formação musical era parte fundamental da proposta educacional.
Pesquisas sobre a história da instituição mostram como o ensino da música abriu possibilidades de formação e profissionalização para muitos de seus alunos.
A história do Instituto São Rafael se cruza, de maneira muito particular, com a história da família Marchesotti e da Cia Memoriana.
A fundadora da Cia Memoriana, a historiadora e escritora Ana Paula Marchesotti, é neta de Arnaldo Marchesotti, que foi aluno e, posteriormente, professor do Instituto São Rafael durante décadas.
Arnaldo ficou cego aos dois anos de idade em decorrência da Gripe Espanhola. Depois de emigrar da Itália e viver durante algum tempo em São Paulo, veio com a família para Belo Horizonte. A escolha pela então jovem capital mineira esteve intimamente ligada à existência do Instituto São Rafael e à reputação que a instituição já havia construído pela qualidade de seu ensino, sobretudo na área da música.
Foi no São Rafael que Arnaldo deu continuidade aos estudos de piano iniciados no Instituto de Cegos de Milão. Em 1933, tornou-se o primeiro deficiente visual a se formar em piano no Brasil, conquista que ganhou destaque na imprensa da época. Em seguida, voltou ao Instituto como professor, conciliando o ensino da música com sua carreira de concertista clássico.
Essa história familiar levou Ana Paula a pesquisar e escrever sobre o avô. Em 2016, publicou o livro Arnaldo Marchesotti: vendo o mundo através da música, no qual recupera a trajetória do músico e, através dela, parte da história da música, da cultura e de Belo Horizonte. (O livro pode ser adquirido na Loja nesse site)
Agora, essa história ganha um novo capítulo. Por meio da Cia Memoriana, Ana Paula Marchesotti participa do projeto de pesquisa e escrita de uma obra de referência sobre os 100 anos do Instituto São Rafael, juntamente com o professor Juares Gomes Martins, Miriam Maffra e Olavo Neves.
Para a Cia Memoriana, participar desse projeto representa uma oportunidade muito especial: voltar a uma história que já fazia parte da memória de uma família e ampliá-la para compreender a trajetória de uma instituição que pertence a tantas outras famílias.
A história do Instituto São Rafael está nas pessoas que passaram por suas salas, nos professores que ensinaram, nas famílias que acompanharam seus filhos, nos músicos que ali encontraram uma profissão, nos antigos alunos e em todas as pessoas que levaram consigo alguma lembrança daquele lugar.
Durante a comemoração do centenário, com o auditório cheio, crianças cantando, professores, famílias e antigos alunos reunidos, ficou ainda mais evidente a dimensão humana dessa história.
Registrar uma história é, antes de tudo, cuidar dela. É reunir documentos, ouvir pessoas, buscar vestígios, recuperar memórias e dar a elas um lugar para permanecer.
É por isso que participar do registro dos 100 anos do Instituto São Rafael traz tanta alegria e, ao mesmo tempo, tanta responsabilidade.
Vida longa e Parabéns ao Instituto São Rafael pelos seus 100 anos!




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